“A Brasuca veio pra ficar”

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O que acontece quando dois apaixonados pela música eletrônica resolvem se unir e organizar uma festa? A resposta para esta pergunta pudemos conferir neste último sábado com a realização da primeira edição da Brasuca. A festa nasceu quando os amigos e sócios Marco Lisa (ELEMENT) e Mohamad Neto (KULTRA) resolveram juntar forças e mostrar que ainda é possível realizar uma festa eletrônica deixando o lucro em segundo plano.

O local escolhido para a realização deste encontro foi a chácara  Aldeia dos Ventos, na cidade de Colombo (17km do centro de Curitiba). Logo na entrada da chácara uma subida gigantesca dava as boas vindas aos visitantes. Para se ter uma ideia da subida, dias antes o caminhão que carregava os equipamentos não conseguiu subir e a organização teve que arrumar outras alternativas para levar caixas de som e os itens do bar para cima. Cada vez que subíamos com o carro (sempre em primeira) olhávamos para o lado esquerdo e víamos a natureza que cercava o lugar. Ficávamos imaginando como seria o pôr e o nascer do sol naquele lugar.

Por causa da tradicional semana de chuva pré-festa que nós curitibanos já estamos acostumados a festa sofreu um pequeno atraso para abrir os portões. Quando chegamos na pista os últimos ajustes na decoração e na iluminação ainda estavam sendo feitos, porém esse atraso não prejudicou nenhuma apresentação, todos os DJs se apresentaram e ajudaram a fazer uma festa linda.

A decoração da pista principal ficou por conta do catarinense Belém, conhecido por decorar algumas das principais festas no interior do Paraná e Rio de Janeiro. Uma tenda cobria quase a pista, algumas bolas nas cores verde e amarelo foram distribuídas por essa tenda, pelo palco e pelo chão da pista. Já a tenda alternativa ficou por conta da escola de DJs Yellow, que colocou sua famosa Kombi na lateral da pista e distribuiu copos e cachecóis para o público que visitava a pista. O público por sua abraçou a ideia de se vestir de verde / amarelo e coloriu ambas as pistas.

O sol durante a tarde, aquele céu estrelado e a energia da festa com certeza motivou alguns artistas. Já pude acompanhar outras apresentações de projetos como Alex Kamel, Parallel Waves, Cheap Konduktor e Element – esse até na última edição do Universo Paralello – e tenho que confessar que a apresentação deles na Brasuca foi a melhor da carreira até agora.

O line up trouxe para mim experiências positivas e também negativas. As negativas foram poucas e muitos aqui não irão concordar. Acredito que duas pistas em festas de pequeno e até mesmo médio porte acabam prejudicando um pouco o evento. O espaço reduzido faz com que as pistas fiquem próximas uma das outras e com isso, por qualquer que seja o posicionamento de ambas, sempre um som mais forte irá afetar o outro. Acredito que uma pista com DJs de vários os estilos seria o bastante e a pista principal da Brasuca é um grande exemplo disso. Tivemos DJs passeando por linhas do Techno ao prog dark.

Uma outra questão que achei estranha foi a sequência: Element – Kultra – Cheap Konduktor – Oblivion. Ficou uma montanha russa na cabeça do público, o som do Kultra ficou extremamente alto ao posto de chegar doer os ouvidos com algumas batidas mais graves e achei muito “barulhento” para ser tocado logo após um progressivo. Na sequência Zen Luiz responsável pelo projeto Cheap Konduktor trouxe a “normalidade” aos meus ouvidos com tracks como Mark Broom, Dustin Zahn – Leave Me Alone (Audio Injection Remix), Chris Colburn – Whipped (Original Mix) e Plastikman – Ask Yourself (Kandidat Remix).

A decepção com o projeto Oblivion, confesso que foi um pouco minha culpa já que a última vez que ouvi a dupla foi em na Electrance (2009) e esperava algo naquela linha de três anos atrás.

Apesar de o line estar recheado de artistas brasileiros, do nome e as cores da festa remeterem ao país o grande destaque foi o duo israelense Lish, representado apenas por:  Lior Maimon. O israelense fez até algumas pessoas ligadas diretamente ao estilo “alternativo” se renderem as batidas progressivas. Foi, literalmente, uma volta às origens em grande estilo.

Sobre a parte estrutural da festa não tem o que reclamar, a não ser a minha opinião sobre a questão das duas pistas. O número de banheiros atendeu perfeitamente o público, raramente vi aquelas cenas do pessoal urinando nos matos e não vi formar aquela fila; os bares tanto da pista principal como da alternativa estavam rápidos, com preços justos e os atendentes sempre com sorriso no rosto. A barraca da “larica” coordenada pelo malabarista Daniel Korne e Guilherme Sabetiski é algo que deveria ser item obrigatório no alvará das festas, nada melhor que chegar no meio da noite e você ter onde comer um pedaço de bolo de brigadeiro e beber um quentão ou chocolate quente para esquentar.

Durante as várias voltas pelas pistas foi possível encontrar várias pessoas deslumbradas com a primeira edição da festa. Elogios surgiam entre sorrisos e a certeza de que o nome Brasuca estava fazendo história no cenário eletrônico curitibano estava cada vez mais nítida. Foi surpreendente ver pessoas do Rio de Janeiro, Santos e de várias cidades catarinenses presentes e afirmando que vieram exclusivamente para a festa. Durante uma conversa com a santista Livia Fornasaro ficou claro o sucesso que foi a primeira edição: “A Brasuca foi mais do que eu esperava! Local fantástico, com uma vista deslumbrante. Decoração linda, colorida… bem do jeito brasileiro de ser! Gente bonita, de sorrisos e expressões envolventes. Organização e atendimento excepcional! O som?? A-N-I-M-A-L !!! Com um grave que estremecia meu corpo inteiro!!! A Brasuca veio pra ficar!!!!  E eu? Estarei presente em todas!”

Realmente “a Brasuca veio pra ficar” e se depender dos organizadores e do público as próximas edições também entrarão para a história da capital paranaense. Uma festa feita com amor, carinho e recebida pelo público com os mesmos sentimentos.

Um Comentário para ““A Brasuca veio pra ficar””

  1. Zen says:

    Apoiado! :-) Bela review, Rodrigo!

 

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