Entrevista: Pj Yugar

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Pedro Javier Yugar Rodriguez aka Pj Yugar, um peruano que reside atualmente no Brasil – Fortaleza,viveu sempre acompanhado pela música, começando seu percurso musical como guitarrista e vocalista da banda, On Thursday We leave, entre outras, e ao passar dos anos foi imergido pela música eletrônica e principalmente pela cena psychodelica. Em 2008 começou seu caminho apaixonado e perfeccionista na discotecagem.

Pedro, PJ ou Peruano!!! Independente da maneira como você o conhece ou não conheça, vale a pena conhecer um pouco mais sobre a carreira deste artista que consegue unir suas duas paixões: a música eletrônica e a medicina.

Confira abaixo a entrevista com esse DJ médico ou médico DJ (você escolhe).

Como e quando iniciou na música eletrônica?
Olá amigo Rodrigo, primeiro agradecer mesmo por essa oportunidade e privilégio de estar fazendo esta entrevista com você. Começou por volta de 2003/2004 quando comecei a freqüentar as festas de música eletrônica, que em Fortaleza era a época do Techno, em especial ao furioso Hardtechno, foi um alívio por ter encontrado um tipo de festa que me agradava por morar em uma cidade que reina o Forró, hehe. Anos após se infiltrou pouco a pouco o Psy-Trance e a cena eletrônica na cidade começou a ter um BOOM. Após alguns anos da cena do Psy, resolvi ir pela primeira vez ao Universo Parallelo #8 onde realmente me apaixonei pela cultura alternativa, o festival, variedade de estilos e principalmente uma queda irresistível pelo Progressive Trance o que me fez dar o primeiro passo a discotecagem e seguir fielmente essa linha.

Do Peru para o Brasil, quando por que ocorreu?
Hahahaha, é sou mais cearense que peruano, aos 4 anos vim morar em belo horizonte por conta dos meus pais e aos 10 vim para fortaleza, onde moro atualmente. Mas amo meu país natal, sua cultura é linda e rica, sempre que volto pra lá me sinto muito feliz , acho super interessante sua história e não existe melhor culinária do que a peruana!

Quais as influências que teve no início da carreira e atualmente?
A minha primeira influência, claro, foi a música em si, desde pequeno já tinha um humilde violão, fui de algumas bandas de rock como guitarrista e vocalista e escutava música 48hrs por dia.
Após a injeção letal de música eletrônica, fui puxado para o Progressive Trance lado da força. Na época Etic, Ace Ventura, Liquid Soul, Perfect Stranger, entre outros, foram os que mais me influenciaram até hoje! Mas hoje em dia cresceu muito a lista de projetos que me influenciam, sempre é algo novo e torna a pesquisa musical mais interessante, tenho mais opções para usar a criatividade nos sets.

O que a música eletrônica significa para você?
Tudo, onde a criatividade perde seus limites musicais. Me desculpem aos que acham que é apenas "Tunz Tunz", acho que é falta de inteligência musical para perceber a genialidade da música eletrônica.
É também uma grande válvula de escape! Estou no momento terminando a faculdade de Medicina e a música funciona como um aliviador, não consigo mais estudar sem ter algum som rolando.

Espera, Medicina? Como consegue conciliar?
Rodrigo, é minha outra paixão, me encontrei na medicina, não me vejo fazendo outra coisa fora das "pick-up", principalmente agora no internato, quando tive realmente mais aproximação com o paciente, o fato de poder ajudar e o carinho que você recebe em troca é fascinante e muito satisfatório, devo isso ao grande exemplo de vida, meu pai, um grande exemplo de médico em que sempre teve todo carinho e respeito com os pacientes. Como consigo conciliar? O que fazemos por paixão e amor não parece ser um trabalho e muitos tem um sonho, eu tenho vários!. Também assisto pouca TV, não gosto muito de futebol e não vou a igreja. Hahaha!

Seus sets são voltados para o progressivo, mas recentemente você produziu um SET excelente de chill out, como surgiu a idéia de criar esse SET?
Sempre gostei de Chilout, em especial o "Psy-Chill", começou com uma música em especial do Protoculture – Homeworld que até hoje considero uma obra prima, e um dia toquei um set de psychill em casa numa reunião com os amigos e decidi gravar. Música boa fluiu naturalmente como um chillout deveria fluir e com certeza gravarei mais a seguir

"Obrigado a Camilla Albano por me emprestar suas belíssimas fotos como capa de alguns sets como esse"

Você acredita que possa haver espaço para Chill Out, Dubstep, D&B e outros estilos nas festas de hoje?
Acredito, em alguns lugares o Dubstep está começando a ser aceito,(Skrillex Effect?), o chillout sempre teve seu espaço nos festivais felizmente é uma questão de tempo, o público vai se aventurando a escutar novos estilos, o que falta são produtores apostarem nessas novas idéias! Aqui em Fortaleza tem aquele velho "delay" mais do que rola no sul e sudeste, mas existem poucas produtoras que além de fazerem festas conceituais, firmes e culturais, abrem espaço para esses novos gêneros, como a Nuact, pois a maioria tem como prioridade(e apenas) o financeiro e prefere manter o que "bomba".

Algumas tracks de antigamente viraram "hinos", hoje em dia é muito difícil uma música ficar na pista por mais de dois meses. Como você vê essa mudança? É culpa dos produtores que produzem um material "simples", do DJ que tem medo de ser considerado chacote se tocar uma música "velha" ou do próprio público?
Eu sempre fui contra a idéia do dj que só toca "Novidade", compra os top hits do beatport, se mata por uma UNR. Eu sigo a idéia de tocar música boa, gostosa de ouvir, pois cada música tem seu momento na pista, ter aquele feeling de saber que agora é a hora dela! Eu tenho um pouco de audácia de mandar aquela velha track , por quê não? Gosto de tocar a música que me agrade e consequentemente agrade o público e fico muito mais feliz quando ela responde! Quem não abre um sorriso gigantesco quando escuta Crazy People , The Light ou Audio Gigolo?

Quais lugares você já tocou e qual foi sua apresentação favorita?
Sempre toquei aqui pelo Estado do Ceará, já fui convidado a tocar em SP e Pernambuco, mas a minha apresentação favorita foi no Peru – Cuzco, toquei em alguns pequenos clubs em Cuzco antes de ir ao Festival Pachamama Hantu Festival no meio do Vale Sagrado dos Incas, foi SURREAL! Muita energia, natureza linda, muita gente de fora, troquei muito conhecimento e conheci muitas pessoas de vários países. Energia mágica tocar naquele local sagrado! Não vejo a hora de voltar lá e repetir essa experiência.

Existe algum lugar que gostaria de tocar?
Com certeza, seria no Universo Paralello, um sonho desdo UP#8, tocar ao lado de amigos, ver seus sorrisos aconchegantes na pista, debaixo daquele sol da bahia, seria uma grande e enorme satisfação e realização. Tudo tem sua hora, trabalhando bastante para que chegue.

Quais projetos você recomendaria para aqueles que gostaram do teu SET.
São tantos, ultimamente o que mais me chamou atenção seria o Lyctum, simplesmente o cara é um gênio, todas as músicas são fantásticas, já tive a cara de pau de tocar umas 3 a 4 músicas em algumas festas por que simplesmente o som do cara é muito bom!

Mas claro, existem vários projetos que recomendo , Ace ventura, Liquid Soul, Ovnimoon , Darma, Zentura, Flegma , Zyce, Egorythmia, Nerso, Aho, Protonica, Perfect Stranger, entre muitos outros, mas destaque pros nacionais que estão no mesmo nível dos internacionais!Analog Drink, Pakman,Swarup Brain, Abstract Sunrise, Neuropipes, Samas, Erotic Dream, Subsistence, Protoactive, Fehja Natural Notes… Esqueci de alguém?

Você está envolvido na organização da Ziohm que acontece no próximo dia 20.10 em Fortaleza e tem como principal atração o neo zelandês Grouch. Como artista, organizador e público como você vê esse crescimento de festas eletrônicas pelo país? Acredita que esse "boom" possa estar prejudicando a imagem?
Acredito que não, no começo muitos podem achar que sim, que existem muitos "pára-quedistas" , pessoal nada haver,"fritos", chacotrancers, mas já fomos algum né? Mas temos o trabalho de modelar e esculpir esse público,tanto como dj , produtor ou público, oferecendo sempre música boa, cultura e conhecimento. O Problema são as novas produtoras ou produtoras que não oferecem isso ao público, coloca um Mainstream ou não, junta todo mundo, sem mais e acha bonito a palhaçada, fazem uso abusivo de drogas, não oferecem nenhuma informação, cuidado e muitas nem tem ambulâncias, acontece algo serio e a mídia cai encima e generaliza tudo! Ai é complicado!

Falando sobre isso, você participa de um grupo de redução de danos relacionado ao uso de drogas, como funciona?Você que coordena?
Se chama Balanceará – Redução de danos, um projeto que montamos aqui em fortaleza que é um braço do Coletivo Balance que é da Bahia e conheci no Universo Paralello. Rafael Baquit, residente de psiquiatria trouxe essa idéia quando voltou da bahia e fui convidado a participar dessa genial ação. Somos um grupo de voluntários que organiza ações de Redução de Danos em festas "rave" com o intuito de construir alternativas para minimizar os danos e riscos associados ao uso de substâncias psicoativas (drogas). Principalmente com informações , panfletos educativos, S.O.S Bad Trip, Camisinhas entre outros métodos e atividades. E felizmente tem dado certo, depois de um ano, começamos a ver o simbólico impacto que este grupo trouxe para a cena eletrônica daqui, o público já nos conhece, muitos nos procuram para informações e ajuda e principalmente as produtoras de eventos já nos procuram pelas nossas ações que vem beneficiando a festa.

Na sua opinião, se todos os núcleos tivessem um espaço destinado a esses projetos de redução de danos as festas seriam diferentes?
Seriam com certeza, vemos isso com a diferença que fazemos nas festas daqui, temos resposta do próprio público! Claro que as pessoas passavam batido, mas hoje em dia as pessoas se sentem até mais seguras quando nossas ações estão fazendo parte da festa. O Público precisa de informação, educação e apoio. Muita gente está de primeira viagem e anda perdida pela festa, quer se enturmar com um grupo, tenta acompanhar sem nenhuma devida informação, toma algum psicoativo mais do que deveria (para não ficar pra trás ou mistura com álcool e outras substancias) e passa mal.Temos a felicidade de que alguns produtores aqui já viram que o grupo tem sua importância e já fomos convidados para ir a outros estados, e estamos avaliando como estender nossas ações!
 
Como é feito essa conscientização do público, vocês montam alguma tenda na festa? Fazem corpo a corpo?
Sim, montamos sempre uma stand em algum ponto estratégico, um pouco afastado do som para que criemos um ambiente calmo pro SOS bad trio e visível para que as pessoas possam saber que estamos lá! Temos vários panfletos informativos (lembra daqueles que rolavam no o UP#? foi nosso coletivo que fez e levou), camisinhas, kit sniffs (canudos individuais para usuários de cocaína não compartilhem e evitem contrair alguma doença) e mais outras coisas e queremos também implantar a distribuição de protetores auriculares para reduzir o dano causado pelo som. Fazem também nossa ação de "Guerrilha", carinhosamente apelidada, buscamos pela festa alguém que tenha exagerado e esteja passando mal, por que muitas vezes passa despercebido pelos amigos ou é deixado de lado e levamos para nossa stand ou para ambulância, que por sinal sempre é um dos nossos pedidos para toda festa, uma ambulância, não somos um ponto médico (mesmo tendo médicos no grupo) e sim um apoio para a ambulância ou posto médico.

 
Há alguns anos um dos primeiros projetos desse tipo no país, o Baladaboa (USP), foi “acusado” de incentivar o consumo de psicoativos e teve suas verbas cortadas. Você acredita que esse tipo de projeto estimulam o consumo?
Deixamos bem claro que não estimulamos uso de nenhua substância e sim queremos reduzir o dano causado por elas. Não adianta bancar o inocente nesse tema e achar que proibindo tudo será resolvido, as pessoas vão continuar usando, pior, usando substâncias que ninguém sabe o que tem nelas, que por sinal temos o EZ test, para identificar o que existem nelas e rodrigo, pelo menos 80% delas estão adulteradas e algumas vezes nem contem a substância original. Objetivo do coletivo é minimizar os danos e se forem usar , que usem menor quantidade e não misturarem com álcool ou outra substância. Infelizmente vivemos em um mundo em que a maioria ainda é muito conservadora e tem a mente fechada, mas isso está mudando, estamos vivendo essa mudança na história.

Como futuro médico, você acredita que o consumo dessas substâncias psicoativas são prejudiciais para quem as utiliza?
Com certeza, toda substância pode trazer algo prejudicial para seu corpo, o problema é que quantificam e qualificam os danos prejudiciais de cada droga erradamente, o Álcool e o cigarro são os principais vilões na história e são taxados como legais, as pessoas tem liberdade de ingerir e fumar quanto quiserem e muitas vezes perdem o controle e trazem muitos prejuízos a longo prazo.
Muitas pesquisas já foram feitas e mostraram que algumas outras drogas como a cannabis são menos, disse menos!, prejudiciais que o álcool ou cigarro. Mas como falei , vai demorar um tempo mudar esse conceito.
O importante é a pessoa ter seu equilíbrio, saber seus limites.
"A diferença entre um veneno e um remédio é sua dose"

Um outro crescimento que notamos é em relação ao número de artistas que surgem a cada dia. Como você separaria os DJs dos "DJs"?
Todo dia aparece um dj novo né? Mas é fácil, esses djs duram pouco tempo, acham que é só dar play e está tudo certo, em pouco tempo eles desistem ou ficam como djs de computador. Cada um trilha seu caminho, tem que existir investimento, fazer um curso e ter uma boa técnica é o básico! Ter o "Feeling" é um diferencial!Ter carisma com público, ter bom gosto musical, escolher o seu gênero favorito e se agarrar a ele,contatos tudo isso faz um bom "DJ". Existe uma peneira natural!

Mas ai existem muitas variantes, alguns djs "bombam" por que tem um produtor que sempre coloca eles nas festas por algum motivo…

Existem vários tipos de dj também né? Dj de casamento, dj que toca no desktop de casa, Virtual Dj…..

Muitos leitores deste blog são do sul e do sudeste do país, como você descreveria para eles as festas realizadas no Nordeste.
Eu vejo que o nordeste tem ganhado esses anos uma força enorme na cena eletrônica principalmente do Psytrance, começando pelo Universo Parallelo que serviu de referência para o nordeste e várias cidades tem erguido fantásicas celebrações como em Salvador, Recife, João pessoa e Fortaleza! Fico muito feliz que a cena aqui cresceu e ficou forte graças a competentes e conceituais produtoras entre elas Nuact, Cosmic, Heaven, Ziohm entre outras!

Algum projeto para o futuro? Produção? Novo SET?
No momento estou um pouco parado por conta do Internato, não paro em casa, vivo dentro do hospital, mas sempre tive muita vontade de produzir progressive trance e tenho já algum conhecimento de produção, quem sabe em um futuro próximo!!!

Meu último set lancei esta semana, se chama Secrets of Ziohm, Chapter#1 : The Calling. Uma prévia do set da ZIOHM dia 20/10 e logo após a Ziohm estou trabalhando para lançar um VA genial pela Ovnimoon Records , gravadora qual assino desde 2011, para final desde ano ou começo de 2013!!

by Pj Yugar

3 Comentários para “Entrevista: Pj Yugar”

  1. Yuri Lima says:

    entrevista muito boa.. representou demais peruano! e que nossa cena cresça a cada dia com som de qualidade e festas de qualidade! e tenho certeza que a ZIOHM chegou para ficar! GOOOO ZIOHM! ;)

  2. Lorena Bezerra says:

    Muuito boa a entrevista! Além de expor o fantástico trabalho desse peruaninho querido, mostrou de maneira realista a nossa cena e as dificuldades que ainda enfrentamos, principalmente no NE! Maraviwonderful!

  3. Tucano says:

    Massa a entrevista PJ! Só acho que a técnica na hora da mixagem alinhada ao bom gosto é mais importante do que se o cara vai ta tocando em CDs, vinis ou Virtual DJ ^^

 

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