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Mais uma edição da Magnetronic terminou e a ansiedade para que uma próxima edição chegue logo já toma conta do corpo.
Quando falamos em música eletrônica em Santa Catarina encontramos várias referências importantes como os conhecidíssimos Warung e Green Valley, já no interior do estado temos clubs como Chakra (São Bento do Sul) e Field (Papanduva). Mas nenhum destes lugares consegue transmitir toda aquela essência psicodélica que muitos apaixonados pela e-music procuram.
veja as fotos da última edição
Como muitos sabem as dificuldades para se organizar uma festa eletrônica em todo o país são enormes e em Santa Catarina essas dificuldades aumentam e muito devido algumas “leis” que proíbem a realização destas manifestações culturais. Desde 2003, quando uma Circular Interna foi divulgada por autoridades locais na qual proibia “a realização de ‘festas raves’ (com música eletrônica)” (veja cópia desta CI abaixo). A partir daí grandes núcleos responsáveis por festas open air como XXXPerience abandonaram o estado e deixaram o cenário eletrônico catarinense refém dos clubs. Já os núcleos que tentaram lutar contra esse preconceito acabaram desistindo após verem suas festas fechadas por policiais que em algumas vezes chegavam até com armas de grosso calibre em punho.

Outro “problema” enfrentado pelos produtores locais foi o costume adquirido pelo público catarinense em relação a listas. O DJ Bresciani, um dos idealizadores da Magnetronic, explica até que ponto esse “mau costume” interfere dentro das festas. “As maiores dificuldades em realizar um evento como a Magnetronic em SC são as vendas de ingressos antecipadas, as pessoas esperam muito por listas como a maioria dos clubs vem oferecendo. Antigamente se vendia cinco mil ingressos antecipados, hoje em dia se seu evento vender 300 pode dar pulo de alegria! É muito triste. Estamos fidelizando um público que valoriza nossa proposta e esse ano pela primeira vez não trabalhamos com listas, as pessoas compraram ingresso, mil pagantes foi uma marca histórica pra gente. Foi muito arriscado financeiramente, mas tivemos que tomar essa medida para ver se teríamos reconhecimento e valorização do nosso público assim consequentemente trazer mais novidades e novas tendências! Nossa intenção é só melhorar e trazer muita qualidade para o público, estou em turnê há dois anos na Europa totalmente focado em trazer novas tendências e novas atrações e é isso que vai acontecer na Magnetronic 2012 ou 2013 que será totalmente em meio a natureza longe de clubes com a verdadeira proposta que a gente quer passar. Festas ao ar livre pra pessoas livres!”
A Magnetronic por sua vez busca, desde 2003, resgatar essa essência perdida há alguns anos no estado e apesar de ser “obrigada” a montar toda sua estrutura dentro de um club (LIFE) e de funcionar no horário “de club” ela tem obtido sucesso nesta busca. Desde minha primeira ida a uma edição da Magnetronic, em junho de 2010, pude perceber que a organização procurava resgatar essa psicodelia e para isso investia pesado em decoração, line up e artistas como o pessoal do Circo Loko.
CURIOSIDADE: “A primeira edição que realmente tomou essa forma MAGNETRONIC de padrão voltando pra cultura psicodélica aconteceu no dia 14 de novembro de 2003. A festa era pra ser uma semana antes, mas foi adiada porque não parava de chover e alagou todo local. O lugar era um sitio dos parentes do Nando Martins, conhecido como sitio da KOMBI, naquela época minha família e a família do Nando Martins trabalhavam muito com a gente, devemos muito a eles! Foi uma festa linda, mas infelizmente caiu no mesmo dia do aniversario de 1 ano do WARUNG e também tinha SKAZI no mesmo dia em Balneário Camboriú. Já viu né? Foi um enorme prejuízo, as pessoas que salvaram um prejuízo muito maior foi a galera que morava perto de nossas casas, vizinhos e amigos. Deu 125 pessoas e foi muita frustração pra gente porque fizemos um alto investimentos em sonorização, decoração e estrutura. Mas a festa foi perfeita e de encher os olhos, foi lá que eu percebi que a gente podia construir algo muito interessante pro público do psy trance, preste a estourar o boom em SC.” (BRESCIANI)
Escolhido para fechar esta última edição da Magnetronic o paulista Marco Lisa, responsável pelo projeto de progressivo Element, também comentou sobre esta ideia da organização em criar um ambiente mais psicodélico nos clubs: “Acho incrível pois foge da normalidade e enche os olhos de quem está participando do evento. O trabalho tanto da decoração com o Belém e o Rogério, quanto do CircoLoko esse ano foi indiscutivelmente lindo. Todos estão de parabéns por toda estrutura e empenho em realizar essa festa linda.” Já o DJ e um dos idealizadores da Magnetronic explica o porque desse conceito: “O foco na Magnetronic sempre foi a arte e cultura Psicodélica, investimos muito em decoração pois queremos passar pro público o mix entre música, tecnologia e arte. A tenda dentro do Club e pra tirar o visual habitual que o life club oferece, tentar transformar esse num local novo, fazendo o público se sentir em outra atmosfera. Apostamos nessa ideia e tem sido muito bem aceita pela old school e new school.”
Além de impressionar os olhos ao trazer esse “ar” de festival para dentro dos clubs a Magnetronic consegue conquistar os ouvidos pelo seleto lineup de cada edição. Durante esses nove anos de festa já passaram nomes como Swarup, Lógica, Element, Burn in Noise, Vegas, Ekanta, Mad Hatters, XPiral, Kronic.
Desde sua penúltima edição, realizada em Junho do ano passado, o núcleo em parceria com a Vagalume Records trouxe para o estado um pouco da magia de um dos principais festivais de música e cultura alternativa do país: o Universo Paralello e com isso “a maior experiência psicodélica de Santa Catarina”.
Em sua última edição realizada no sábado (09), em um novo Life Club, a organização, mais uma vez, me surpreendeu. A pista decorada com aquele carinho pelo pessoal da Geômetra – o paulista Rogério Hirata que já decorou festivais como 303 Art Festival (BA), Universo Paralello (BA), Cachoeira Alta (MG), Boom Festival (Portugal), Respect (SP) entre outros – e o catarinense Belém, fizeram um trabalho digno daqueles de pará-los na festa apenas para lhes dar os parabéns.
Assim como a edição do ano passado o line up contou com a presença de grandes nomes da Vagalume como The First Stone, Logica, Altruism e destaques da pista 303 do último Universo Paralello como Vegas e Element. Este último resalta o “gostinho de festival” que a festa proporciona não apenas no público, mas também nos artistas: “A Magnetronic é uma festa muito especial para mim em particular. Além de ser em Santa Catarina aonde tenho dúzias e dúzias de amigos e ser um dos lugares aonde sou mais bem recebido no Brasil, a Magnetronic colaborou muito para meu despontamento ano passado, por isso o carinho tão especial por ela. E mais do que isso, essa festa ajuda a matar aquele gostinho de festival que fica escondido nas saudades do UP durante o ano além de reunir um grupo seleto com um som de altíssima qualidade e raiz juntos. Então a sensação de estar ali mais uma vez é a sensação de estar em casa.”
A preocupação em trazer uma tenda para dentro de um club, um line up sem “figurinhas carimbadas”, intervenções artísticas e o respeito com o público (principalmente nos valores das bebidas e alimentação), foram com esses pequenos detalhes que a Magnetronic trouxe a novamente a essência psicodélica para Santa Catarina e vem a cada edição se destacando no cenário. Uma essência que infelizmente muitos núcleos estão deixando de lado em troca do lucro.
Que venha a próxima Magnetronic, com os pés na grama, “ao ar livre para pessoas livres!”

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June 18th, 2012
rcgomes
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