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Com o rumo que as grandes festas estão tomando fui perdendo um pouco da vontade de sair de casa e freqüentar um lugar onde a música já não está nem mais em segundo plano. Hoje enxergo essas festas apenas como um negócio onde núcleos miram seus olhos apenas para os lucros e as pessoas fecham mentes e corações para a música e os abrem apenas para as drogas e para a futilidade dos desfiles de roupas caras e corpos sarados.
Há dois meses tive a sorte de ir até Papanduva e conhecer o Field Club – quando digo sorte me refiro ao sentimento de me sentir apaixonado por um lugar e suas festas. Não importa se você é catarinense, paranaense ou paulista, brasileiro ou russo a sensação de estar na Field é a mesma. Você sente aquela energia positiva e acolhedora do público, o corpo vibrando com o grave, se sente parte do club e permite que a música faça parte de você.
Veja a cobertura completa
No último sábado (24) o Field abriu suas portas para mais uma dessas experiências inesquecíveis de reviver os tempos áureos da música eletrônica. A decoração mais uma vez ficou por parte do pessoal da Fly Arts, as luminárias japonesas da última festa deram lugar a enormes bolas, mandalas e borboletas flúor que com certeza prenderam a atenção do público por algumas horas.
O primeiro a assumir as pickups foi o catarinense Jeff Ristitsch, com a pista ainda vazia o DJ sambou em algumas viradas no começo do set, mas depois conseguiu realizar um set com bastante pegada, com tracks muito bem escolhidas. Estava dada a largada para mais uma noite inesquecível no Field Club..
Com o público chegando, enchendo a pista e os camarotes foi a vez Felipe Desiderati, residente do club curitibano Danghai, assumir e se surpreender com a energia do público. Para o DJ, sua primeira vez no club foi “ótimo tocar em um club com um público tão pra cima. Pessoas que vão pra festa para curtir e se divertir e não para ficar se preocupando em saber se a música que o DJ está tocando é de um ou dois meses atrás ou se é um hit ou não”. Felipe Desiderati também se admirou com a aceitação do público com o seu set onde fizeram partes músicas como Lee Curtiss – I Can Make Your Body Twitch, Amine Edge & Dance – Pop 60, Adana Twins – Everyday, Mowgli, Amber Jolene – Back In The Day (ft. Amber Jole) e Death On The Balcony, Ste Roberts – Parential Guidance: “Foi incrível ver a reação da galera a cada virada e perceber que o deep house também pode empolgar muito, ainda mais em uma noite dominada pelo Techno.”
Warm-up @ Field Club w Ilya Lazutkin (24/03/2012)
Edson Sommer já é um velho conhecido do público catarinense, responsável por organizar algumas festas como Loop e Spacetribal o DJ ficou responsável em preparar a pista para a atração principal e não decepcionou. Com tracks como D-Nox – Black Scorpion, Maetrik – The Entity, Julian Jeweil – Hermanos, Max Cooper – Chaotisch Serie (Maetrik Abstract Beats Remix) entre outras Sommer fez o público prender seus ouvidos nas caixas e durante algumas vezes teve seu nome gritado por todos no club.
Já eram quase 4hs de domingo quando o russo Elay Lazutkin, com um set mais pesado do que o tocado no ano passado em Curitiba, esqueceu o frio de Moscou e esquentou a pista. O club veio abaixo quando Elay abriu seu live com “Fuckin Rave” e com tracks como “Let’s take noise”, “Dark Texture” e “Children In Africa” manteve a pista pulando e com aquela energia Field. No live ainda teve espaço para o russo mostrar suas mais recentes produções como “Its not me”, lançada na segunda (26) após a festa e as unreleaseds “Together” e “She Is”. Dono de uma simpatia incrível tanto em cima como fora do palco, o DJ de 24 anos conquistou os brasileiros e lançou um termo que demorará a ser esquecido pelos freqüentadores desta noite: SALADA.
Ninguém melhor para definir a energia de uma pista de um club do que o seu DJ residente e para Lenon Canani “O field club é um dos poucos lugares que me sinto totalmente a vontade para tocar, dançar e curtir ao mesmo, que sinto a liberdade de estar me divertindo e divertindo aos outros. Sinto que as pessoas estão ali junto comigo realmente fazendo a diferença, pela musica, pela dança, e pelo divertimento, é realmente especial fazer parte disso”. Após a apresentação do DJ principal a tendência na maioria dos clubs é de que a pista esvazie-se, porém na Field isso não acontece e quando a energia desse público está no ápice a impressão que temos é que o próximo artista terá muito trabalho para manter a pista pulsando forte.
Depois de uma apresentação histórica do russo Elay Lazutkin, coube a Lenon Canani aka Lenoox essa árdua tarefa, mas com tracks como SQL – Distorted Reality, Tom Hades – What’s His Name, Crystal Waters – Gipsy Woman (Felten Remix) e Sllava flash – Fuck off (Konstantin Remix) o DJ de 18 anos, três deles dedicados a música eletrônica, conseguiu transformar essa difícil tarefa em uma brincadeira. A resposta da pista principalmente com a clássica Tiga – Mind Dimension 2, foi de arrepiar.
Jonathan Posso foi o sexto artista a subir no palco e junto com os bpms mais lentos do seu set veio a manhã de domingo, já comentei em um texto anterior sobre a Field a sensação que se tem nessa hora. É como se a luz do dia renovasse todas as nossas energias, como se uma nova festa tivesse começando. Raybans e Carreras começam a surgir na pista, diferente de outros clubs o pessoal deixa o colorido para as roupas, nada daquela invasão de óculos rosa, verde e amarelo.
Para Jonathan que paralelamente possui o projeto Minigalia de bastante destaque em terras catarinenses “Foi uma realização pessoal muito grande tocar para um povo que são amigos de anos e muito bem educados musicalmente! Satisfação é a palavra.” Destaque de seu set para tracks como Sonny Wharton – Ripper, Vlada Asanin – Groove Shaker Body e Marco Lys – Just the Beat .
Com traços que lembram o ator Johnny Depp, o também residente do Field Club G. Felix foi o sétimo DJ a assumir as pickups e com um tracklist contendo Nytron – Science, Dexter Kane – I Got Sunshine, Bazar – Hard to Find (Danny Daze Love Dub) mostrou o porque é considerado uma referência na cena curitibana, tendo já passados por outros grandes clubs catarinenses como Life Club (Florianópolis) e Maze (Joinville), além é claro de participar da última edição do maior festival multicultural do Paraná: o Tribaltech Multicult.
O fechamento de uma festa perfeita ficou sob a responsabilidade do projeto Slimtech. Formado pelos DJs Douglas Renato e Judson Costa e um set recheado de bons Deep como Noir, Haze – Around (Solomun Vox Remix), Unknown Artist – What You Need (Coat Of Arms Remix), FlexB – Call Me, Benny Benassi – Who’s Your Daddy (FlexB Bootleg Mix) e Talking Heads – Psycho Killer o Slimtech manteve a pista cheia até as nove horas e deixou aquele sentimento de quero mais quando as caixas infelizmente silenciaram-se.
Para os que assim como eu, sentem falta de ir a uma festa, olhar para a pessoa desconhecida que está do seu lado direito e ganhar um sorriso, um abraço e até aquelas conversas de horas, sobre os mais variados assuntos, o planalto catarinense e clubs como Chakra e Field estão de braços abertos.
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March 29th, 2012
rcgomes
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